sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Olhos de Lince - 21/02/2014


A Cidade
Era uma vez uma cidade conhecida como Cidade das Rosas.

Era uma vez uma cidade onde flores embelezavam suas ruas; uma cidade onde as pessoas podiam deixar seus portões e portas destrancados para que os amigos entrassem sem cerimônia e com um delicioso  bom dia nos lábios.

Era uma vez uma cidade onde todos se conheciam, muitos eram amigos, alguns tinham antipatia por outros, todos falavam (bem ou mal) de alguém, mas só quem era da cidade podia falar dos seus habitantes, porque havia solidariedade, havia a alegria e o abraço,  havia desentendimento também, mas tudo muito adequado e pertinente com a vida cotidiana de uma grande família. 

Era uma vez uma cidade que acolheu Luiz Gonzaga como morador, e dele recebeu a homenagem através da famosa canção Boi Bumbá.  Um lugar que tinha orgulho da sua história.

Era uma vez uma cidade que tinha um lindo lago com um entorno cheio de vida, do movimento de crianças, de famílias que aproveitavam os domingos e feriados nas charretes, nos pedalinhos e modestas cavalgadas em simpáticos pangarés.  Esse lago tinha também um vistoso barco que flutuava seu barzinho enchendo as noites de sábado de música e alegria.

Era uma vez uma cidade onde os habitantes flanavam ao longo do dia tranquilos pelas ruas, onde os jovens (de idade e de espírito) se encontravam ao som dos violões, conversavam e bebiam descontraídos, sem a preocupação de horários porque não havia o medo.

Era uma vez uma cidade que pertencia a todos que nela habitavam, onde os cidadãos interferiam direta ou indiretamente na política local,  emitiam opiniões sobre os mais diversos assuntos, realizavam fóruns para debater questões do interesse comum e tinham a liberdade de contribuir, de alguma forma, para a realização de pequenas mudanças desejadas ou, simplesmente opinar sobre a vida cotidiana dessa ou daquela comunidade.

Era uma vez uma cidade que há duas décadas recebeu um jovem e sua família que veio de além-mar.  Esse jovem tornou-se um jornalista.  Ele poderia ter ido para outro lugar, escolhido outra profissão, mas dedicou seus dias e sua vida a duas paixões: essa cidade e sua família.

Era uma vez uma cidade...Era... E quem viveu esses tempos dourados, nunca esquecerá essa cidade e sempre lembrará desse jornalista, da sua vida e do que representou sua morte. 

Era uma vez... é assim que começam os contos de fada.  No meio do enredo aparecem as bruxas, os homens malvados, os antagonistas, mas também os heróis e a ideologia catalizadora do bem - esta última impera, sendo nosso legado.  Quem se foi cumpriu sua missão, cabe a quem fica continuar essa história.

Beijinho de Lince
Ao amigo, colega e jornalista Pedro Palma.  Por sua determinação e coragem.  Por todo aprendizado que trocamos, pelos bons momentos na profissão e também pelos momentos mais complicados onde Lince sempre pode contar com sua solidariedade.  Siga na paz de Deus.



(Esta publicação é uma homenagem ao jornalista Pedro Miguel Palma, assassinado na porta da sua casa, com três tiros, no dia 13 de fevereiro de 2014. Pedro era diretor do Jornal Panorama Regional, com sede no município de Miguel Pereira/RJ).

Jornal Panorama Regional, edição 992, 21/02/2014
Olhos de Lince, página 9

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Olhos de Lince - 21/06/2013

Coluna Olhos de Lince - Jornal Panorama Regional

Novos tempos
As manifestações populares estão ocorrendo em todo país. Os protestos contra a corrupção, o aumento das passagens dos transportes públicos, os gastos desmedidos com as construções e reformas dos estádios de futebol, levaram milhares de pessoas para as ruas.  Vídeos, fotos e opiniões foram postadas na Internet e as discussões se estenderam nas redes de relacionamento.
                    
A cortina do palco se abriu, enfim, mostrando um novo cenário mundial, onde a informação deixa de ser privilégio da mídia para se tornar algo amplo no domínio público.  Hoje, cada um de nós é um formador de opinião. Munidos de celulares e câmeras fotográficas, temos a possibilidade de registrar os diversos prismas do mesmo acontecimento e compartilhar com o planeta nossa realidade. 

Isso tudo é novo, é fantástico, é perturbador. O povo aprendeu rápido a lidar com essa nuance da globalização. Vamos ver como os detentores do poder público e dos meios oficiais de comunicação irão se adequar a essa realidade. 

Fácil
Você sabe o que significa a sigla DO? 

“Diário Oficial (DO) é uma publicação na qual são mostradas as leis, licitações, atas de plenário e todas as demais atividades de uma divisão administrativa brasileira. São publicados Diários Oficiais da Presidência da República, de cada governo estadual, e de cada município. Algumas localidades os disponibilizam, de forma integral, na Internet.” (Wikipedia)

Se quiser acompanhar o que acontece nas administrações públicas da nossa região, é só acessar, periodicamente, as publicações disponibilizadas nos sites oficiais das Prefeituras.

Informe-se e livre-se de vez dos boatos.

Secretariado
Em Paty do Alferes, muitas pessoas me perguntam se é verdade que “fulano” e “beltrano” assumiram determinados cargos públicos, etc... O que sei é o que qualquer cidadão pode saber através de uma consulta na Internet.

Até o fechamento desta edição de Olhos de Lince, realizado na noite de terça-feira (18/06), os nomes publicados no Diário Oficial (atualizado no site da PMPA até da data de 06/06), eram os que relato abaixo.

Três Secretarias trouxeram o repeteco da gestão anterior de Rachid Elmôr: Educação e Cultura - Amine Elmôr; Consultoria Jurídica - Carla Leite Sardella; Chefia de Gabinete - André Dantas.  Na Administração está Pedro de Andrade (que até ano passado era secretário de Fazenda); na Saúde - André Português; no Turismo - Marcelo Mourão.  Os secretários interinos (aqueles que são nomeados em caráter temporário): Obras - José Carlos de Carvalho; Fazenda - Jaqueline Lustosa; Agricultura - Romulo Rosa de Carvalho; Desenvolvimento Social - Priscila Carius; Ordem Pública e Defesa Civil - Jorge de Souza Cezario Lima.  As Secretarias que ainda estão sem titulares: Meio Ambiente; Planejamento e Gestão; Esportes e Lazer.

Aguardemos as novidades.

Agradou
A padaria do Angu está linda! Toda decorada com o tema apropriado para esta época do ano: as festas juninas. Os clientes habituais se encantam com a grata surpresa ao entrar no estabelecimento.

Para completar, os funcionários exibem um visual simpático, com blusas xadrez e graciosos chapéus de palha. 

Sabores
Teremos uma nova opção gastronômica na região: um restaurante charmoso, com boa comida e bebida, em um cenário paradisíaco de Miguel Pereira.

O local também receberá turistas que chegarão com um roteiro traçado para um dia em contato com a natureza, tendo diversas atividades programadas e um cardápio de dar água na boca.

Lince conferiu o projeto, se deliciou com algumas receitas e espera ansiosa pela inauguração. 

Hino
“Mas, se ergues da justiça a clava forte,/ Verás que um filho teu não foge à luta,/ Nem tem, quem te adora, a própria morte./ Terra adorada/ Entre outras mil,/ És tu, Brasil,/ Ó Pátria amada!/ Dos filhos deste solo és mãe gentil,/ Pátria amada/ Brasil”. (Joaquim Osório Duque Estrada, autor da letra do Hino Nacional Brasileiro, nascido em Paty do Alferes/RJ, 1870).

Miguel Pereira: na padaria do Angu, o charme das funcionárias em clima de festa junina

Panorama Regional, edição 957 (21/06/2013)
Olhos de Lince, página 9

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Olhos de Lince - 31/05/2013

Coluna Olhos de Lince - Jornal Panorama Regional

Flashes de Lince na cerimônia de abertura da Festa do Tomate

Paty do Alferes, 28 de maio
 O prefeito de Paty do Alferes, Rachid Elmôr, em seu discurso na abertura da Festa do Tomate, com a presença de Felipe Peixoto (Secretário Estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca) e de Christino Áureo (Secretário Estadual de Agricultura e Pecuária)

O secretário de Turismo de Paty do Alferes, Marcelo Mourão, apresentando ao público o mascote da Festa do Tomate

O ambientalista Carlos Frederico Castello Branco e a bela Maria

Sebastião Rodrigues (ex-secretário Estadual de Transportes), Juju (vereador de Paty do Alferes) e o empresário Julinho Avelino

Vitor Hugo, André Português (secretário de Saúde de Paty do Alferes), Bruno (prefeito de Quatis), Vitor Ralha, Diego Coelho e Marcio Martins

Thedy Pontes está com suas peças em um stand no galpão do artesanato. Tudo super lindo!

Ao centro, Lenice Bernardes (vice-prefeita de Paty do Alferes), e a turma animada que prestigiou a cerimônia de abertura da Festa do Tomate

Jornal Panorama Regional, edição 954 (31/05/2013), página 9



domingo, 26 de maio de 2013

Olhos de Lince News - Festa do Tomate 2013

Olhos de Lince
Lena Medeiros

Festa do Tomate
A tradicional Festa do Tomate, realizada em Paty do Alferes, terá início na próxima terça-feira (28 de maio). Além dos shows noturnos, o evento apresenta inúmeras atrações.

Olhos de Lince traz para o leitor a programação completa (publicada no Jornal Panorama Regional, edição 953, páginas 7 e 18).

A diversão é para todas as idades e as crianças poderão aproveitar as atividades realizadas na TENDA CULTURAL. A infraestrutura do Parque de Exposições Amaury Monteiro Pullig (distrito de Avelar) inclui restaurantes, barraquinhas de alimentação, banheiros públicos gratuitos, stand com as delícias do tomate, além de diversos galpões (artesanato, indústria e comércio, exposição de produtos agrícolas).

Visando o bem-estar do público, um forte esquema de segurança foi montado para garantir a tranquilidade dentro do parque e no trânsito. Portanto, se beber não dirija. Haverá ônibus e vans que farão o transporte dia e noite.

Confira abaixo a programação da Tenda Cultural, o cartaz com os shows e a grade completa dos eventos. O ingresso será vendido nas bilheterias do parque a R$20,00 (entrada inteira) e R$10,00 (estudantes e idosos).

 Venha participar!

Tenda Cultural Festa do Tomate:

Dia 29/05 (quarta-feira)
16h -  Peça Teatral - Chapeuzinho Vermelho - Cia Arte na Garagem
18h - Dança do Ventre - Espaço Luz e Dança

Dia 30/05 (quinta-feira)
15h - Concurso da Culinária do Tomate (organizado pela PMPA)
17h - Peça Teatral - Aventura Natural - Cia Arte na Garagem
17h30 - Capoeira - Mestre Voador

Dia 31/05 (sexta-feira)
16h - As Aventuras de Florisbela - Cia Arte na Garagem
17h - Capoeira - Mestre Biju
18h - Show Musical - Banda Gato Preto

Dia 01/06 (sábado)
15h - Os Sombras - performance ARTEIROS - no Parque de Exposições
16h - Peça Teatral - O Relógio de Ouro - Cia Arte na Garagem
17h - Peça Teatral com bonecos - Da Cor do Café - Arteiros
18h - Grupo de Dança - Katia Zerlahny

Dia 02/06 (domingo)
15h - Gincana Cultural - Em Busca do Tomate Premiado
16h - Peça Teatral - Dona Baratinha - Cia Arte na Garagem
16h30 - Os Sombras - performance ARTEIROS - no Parque de Exposições
17h - Peça Teatral - A Segunda Chance - News Art´s
18h - Peça Teatral - Gina Capellety - grupo ETAPA

Cartaz e grade da programação: Jornal Panorama Regional no link abaixo
http://www.paper4web.com.br/readerp4w/reader2012/get.aspx?pID=1&eID=10860&host=reader

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Olhos de Lince - 16/05/2013

Coluna Olhos de Lince - Jornal Panorama Regional

Compartilhando
Sou uma capricorniana do terceiro decanato. O raciocínio lógico, prático e direto, faz parte do meu jeito de ser. Sorte a minha ter nascido assim, porque essa característica me poupa de alguns aborrecimentos e desgastes desnecessários. 

De qualquer forma, existe em cada um de nós, independente dos signos astrológicos, a capacidade de raciocínio e a possibilidade fantástica de colocar a educação como regra para todo e qualquer comportamento social.  É através dela – a educação – que o ser humano tem conseguido conviver socialmente, respeitando aquela regrinha básica de que seu direito está limitado pelo direito do seu semelhante.  É a educação a melhor adestradora das emoções, que são como cavalos selvagens correndo ao sabor do vento em uma verdejante montanha. Eles são lindos numa paisagem erma, mas perigosos e inconvenientes se entraram em um lugar populoso e «civilizado».

Somos humanos, passíveis de uma infinidade de sentimentos, mas não fica bem gritar no meio da rua com alguém que lhe deu um esbarrão, tampouco esbofetear uma pessoa que julge sem caráter, nem dizer palavrões em praça pública como forma de conquistar a simpatia dos outros para a causa que defende. Melhor deixar os desabafos para serem feitos em um círculo mais fechado, entre amigos, pois estes são capazes de tentar nos entender e de manifestar algum alento por nossos sentimentos intempestivos.

A gente aprende, «a vida é uma escola», já diz aquele velho ditado popular que integra uma música da nossa MPB.  Eu tive um grande e querido amigo, que há décadas atrás me ensinou assim: «Pense num supermercado,  com todos os setores, cada um deles dedicado a certa gama de produtos e ainda com as prateleiras organizadas sequencialmente. Leve essa organização para o seu cérebro, vai ser útil.  Comece a pensar nas situações de forma setorizada, nunca misture os assuntos a serem resolvidos, do contrário, você nunca vai se achar e os outros ficarão perdidos ao lidar com a sua confusão».

Acho que é isso... Não misturar.  Tentar discernir o que os olhos enxergam daquilo que eles gostariam de enxergar.  Tentar exprimir sua opinião sem ofender.  Tentar achar o melhor caminho para seus objetivos, retirando as pedras sem ter que atirá-las nos outros.  E me permito lembrar aqui o óbvio: a felicidade não depende da satisfação das nossas vaidades, mas sim da realização daquilo que nos acalenta docemente a alma. 

Dica
O grupo ETAPA, que há 40 anos vem realizando a arte dos palcos em Paty do Alferes, está ensaiando cinco peças teatrais.  Uma delas, GINA CAPELLETY, de autoria e direção de Alda Piedade, fez sua estreia com duas apresentações de sucesso no Centro Cultural Maestro José Figueira.

Tendo como cenário um programa de TV, a peça mostra situações hilárias vividas pela apresentadora Gina e seus convidados. Um humor gostoso, daqueles que fazem a gente esquecer o mundo lá fora e rir até as lágrimas rolarem.

O ETAPA anuncia nova temporada, com apresentações previstas para junho. Lince recomenda!

Livros para todos
A livraria Aquário, em parceria com o Shopping Florescer (Miguel Pereira), está realizando o projeto «Livros em Movimento». 

Lince se encantou com a proposta, que funciona da seguinte maneira: uma estante foi instalada no corredor do Shopping e o público tem acesso às obras oferecidas.  Se você gostou de algum título, é só levar pra casa, sem cadastros, sem pedidos de autorização. Quando finalizar a leitura, retorne e coloque o livro de novo na prateleira para que outra pessoa possa ter acesso ao mesmo.

O projeto funciona com doações da população.  Você tem um livro interessante? Gostaria de compartilhar a leitura com outras pessoas? Então faça parte deste movimento que já tem inúmeros adeptos. 

Augusto Morais, proprietário da Aquário, explica: «A ideia é proporcionar títulos gratuitos para quem gosta de ler e incentivar aqueles que ainda não adquiriram o hábito.  O sucesso é grande e teremos que instalar outras estantes, tanto aqui, quanto em outros pontos da cidade».

Super parabéns pela iniciativa!

Festa do Tomate
Este ano, a Festa do Tomate inicia dia 28 de maio (terça-feira) e finaliza dia 2 de junho (domingo).  Com a mudança no governo municipal de Paty do Alferes, o prefeito Rachid Elmôr providenciou algumas alterações na programação dos shows, que abrangem os tradicionais espetáculos evangélico e católico, além de outros gêneros musicais.

Anotem: dia 28/05, Talles; dia 29/05, Paula Fernandes; dia 30/05, Padre Fábio de Melo; dia 31/05, Luan Santana; dia 01/06, Zeca Pagodinho; dia 02/06, João Neto e Frederico. As entradas terão os seguintes valores: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia). 

Vale lembrar que os shows são apenas uma parte desse evento, que oferece diversas opções:  as exposições de produtos agrícolas e gado leiteiro; a Tenda Cultural; os galpões do Artesanato e também da Indústria e Comércio; o stand com venda das delícias confeccionadas com o tomate; restaurantes; e as barraquinhas que disponibilizam os mais variados tipos de cachaça produzidos em nossos alambiques, além de lanches e petiscos.

É uma festa que faz história além das fronteiras do município.

Frase
«O coração não tem rugas». (Madame de Sévigné, aristocrata francesa, 1626-1696. Suas cartas, publicadas após sua morte, tornaram-se uma fonte inesgotável de pesquisas históricas sobre personagens e costumes da época).

Beijinhos de Lince e até a próxima quinzena!

O empresário Augusto Morais e o projeto Livros em Movimento, 
em Miguel Pereira (fotos: Lena Medeiros)



 Coluna Olhos de Lince
Jornal Panorama Regional, edição 952, 17/05/2013, página 9

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Olhos de Lince - 02/05/2013

Coluna Olhos de Lince - Jornal Panorama Regional


Fazendo Arte
Fábio Kleine é sinônimo de Arteiros, uma ONG criada em 2004 por ele, Aline Brito e um grupo que estava determinado a divulgar as expressões artísticas em um amplo contexto, acessível a todas as classes sociais e idades.

Fundaram o Espaço Cultural Arteiros, instalado no centro de Miguel Pereira e mantido através de contribuições dos empresários regionais. Lá eram realizados pequenos shows musicais, exposições, oficinas de teatro, música e dança. «As atividades foram desenvolvidas durante um ano», explica Kleine, «O espaço cresceu, havia um excelente público,  mas não conseguimos superar as dificuldades em manter as despesas», lamenta.

Fábio iniciou seu ofício de ator aos 16 anos, no Rio de Janeiro. «A grande escola foi o teatro infantil, porque além do cuidado necessário para estruturar o que está sendo apresentado, existe um retorno espontâneo do trabalho. As crianças demonstram com clareza suas opiniões», pontua. Na TV Educativa trabalhou com Daniel Azulay, integrando a turma do Lambe-Lambe. «Eu encenava o Piparote. O elenco também contava a Selma Lopes (Chicória), Pratinha (Pita), Dirceu Rabello (Professor Pirajá) e Fátima Maciel (Gilda), que por coincidência veio a ser diretora de uma escola Estadual em Paty do Alferes», lembra.

A caminhada artística tomou novos rumos.  Em Miguel Pereira, envolveu-se definitivamente com os interesses pelas questões do meio ambiente. «Fiz uma capacitação em Educação Ambiental, e a Arteiros (Centro de Cultura, Educação e Cidadania) enredou para a execução de projetos, tendo como carro chefe o teatro de bonecos, confeccionados com material reaproveitável», esclarece.

Em 2005 e 2006, numa parceria com a Secretaria de Educação de Miguel Pereira e contando com o financiamento do FNDE, a ONG realizou oficinas de teatro, canto e dança nas escolas municipais. Dois anos depois, foi feito um consórcio com o ITPA (Instituto Terra de Preservação Ambiental) para atuação na Agenda 21 em Paty do Alferes. «Executamos o programa de Educação Ambiental nas escolas municipais e particulares, onde as crianças aprenderam a confeccionar e manipular os bonecos.  Daí veio o TEATRECO, primeiro Eco Festival Estudantil de Teatro de Bonecos, que teve como base as oficinas realizadas. Os alunos das escolas municipais escreveram os textos e criaram os personagens para as peças apresentadas, tudo com temas relativos ao meio ambiente», conta o representante da Arteiros, que na ocasião também realizou o ECOAR, Eco Festival de Música Estudantil,  com participação das escolas instaladas no município, tanto da rede pública, quanto da rede particular do Ensino Médio. «Os alunos se inscreveram com composições próprias e seguindo a temática proposta pela Agenda 21», acrescenta.

A Arteiros continua com seu dinamismo.  Ao longo dos anos,  seus projetos têm lugar garantido em datas especiais: na Festa das Orquídeas e Bromélias, na Festa do Tomate (Tenda Cultural), no Dia Mundial da Água e no Dia Mundial do Meio Ambiente.  Destaque para a Paixão de Cristo, que desde 2005 é tradição na Semana  Santa  dos municípios de Miguel Pereira e Paty do Alferes. «Essa produção envolve vinte e cinco pessoas, entre elenco e técnicos, e no grupo temos artistas que eram alunos do projeto Arteiros nas Escolas.  É um trabalho lindo, encantador e envolvente», diz com emoção.

Lince pediu que Fábio desse sua opinião sobre as duas cidades onde tem atuado. Ele não faz cerimônia: «Miguel Pereira já foi  a Cidade das Rosas, já foi o terceiro melhor clima do mundo e hoje está sem identidade. O município tem tudo para se tornar um produtor de cultura, a partir dos talentos que residem aqui e não estão na vitrine, mas desenvolvem trabalhos de valor.  Faltam políticas públicas para que alcancemos este patamar», opina de forma enfática. «Paty do Alferes valoriza a cultura local e o povo é muito mais receptivo às ideias novas.  Já realizamos vários trabalhos voltados para as comunidades, que se envolvem e têm gratidão por estarem recebendo um novo conhecimento», declara.

Antes de encerrar a entrevista, Kleine fez questão de falar sobre o Centro Cultural Aldeia de Arcozelo. «Quero aproveitar este momento para lembrar que ano passado, com o teatro Renato Vianna lotado, o governador do Estado mandou um recado pela sua secretária de Cultura: estava destinando 30 milhões de reais para recuperação e revitalização da Aldeia, dando à FUNARTE a responsabilidade de apresentar o projeto até março de 2013.  Então, temos que cobrar o paradeiro dessa verba e desse projeto», finaliza.

Beijinho de Lince
Para o grupo  de teatro ETAPA, que comemora 40 anos de artes cênicas em Paty do Alferes. 
Em breve, Lince trará as novidades sobre os novos espetáculos que serão apresentados ao público em 2013.

Fábio Kleine

Coluna Olhos de Lince
Jornal Panorama Regional, edição 950, 03/05/2013, página 9
http://www.paper4web.com.br/readerp4w/reader2012/get.aspx?lT=flip&pID=1&eID=10831&host=reader&lP=0&rP=1

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Olhos de Lince - 18/04/2013

Coluna Olhos de Lince - Jornal Panorama Regional


Para onde foi a nossa Agenda 21?

Essa é a pergunta que não quer calar. Para esclarecer o assunto, Lince conversou com Carlos Frederico Castello Branco, ou Calico, como preferem os amigos.  Nosso encontro aconteceu em Miguel Pereira, na sua encantadora propriedade - um lugar mágico, com uma floresta de 1,3 hectares, transformada pela família em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). “A biodiversidade é mínima, com pequenos repteis, batráquios, aves e mamíferos, mas tem um valor simbólico para nossa família e para a cidade, porque mostra que as florestas urbanas podem e devem existir”, afirma.

Em meio ao verde convidativo, também encontramos as instalações administrativas do Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA), uma ONG fundada em 1998, que desenvolve inúmeros projetos de reflorestamento. “Há alguns anos me afastei dos trabalhos no ITPA, que hoje tem o Maurício Ruiz Castello Branco como secretário executivo. Tenho me dedicado sistematicamente ao estudo da ecologia”, diz Calico, que foi produtor, cinegrafista e diretor de documentários, até que a participação na Rio 92 mudou sua vida. “Era a primeira vez que eu ouvia falar em sustentabilidade dentro das políticas públicas”, recorda.  “Em 1995 fui para a Amazônia e Cuba fazer um documentário sobre a vida do poeta Thiago de Mello. Levei meu filho Maurício e o fato foi decisivo para a tomada de novos rumos”, complementou. “Quando viemos morar em Miguel Pereira, ficamos encantados pela natureza exuberante da cidade e do seu entorno, citando como exemplos a Reserva do Tinguá e as cachoeiras do rio Santana. As ações do Instituto são no sentido de preservar e recuperar esses e outros valiosos patrimônios naturais”, relata.

E como surgiu a Agenda 21 em nossa região?  Teve início em 2004, no município de Paty do Alferes, onde foram feitos os diagnósticos nas bacias hidrográficas, com ações propostas para curto, médio e longo prazo. “Naquela época, o governo Municipal organizou a Secretaria de Meio Ambiente, que trabalhava em conjunto com a Agricultura”, lembra Castello Branco. “Houve a mobilização da sociedade civil, incluindo escolas e associações de bairros. Os diagnósticos da Agenda foram utilizados pela gestão municipal para atender às demandas dos moradores”.

Em 2007, Calico recebeu o convite de Carlos Minc para integrar a equipe da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, coordenando a Agenda 21 no Estado do Rio de Janeiro. “Paty do Alferes foi modelo e exemplo para 40 municípios, onde todos os fóruns realizados seguiram a metodologia que já havíamos aplicado, com diagnósticos participativos, plano de desenvolvimento sustentável, monitoramento e implementação desse plano”, esclarece.

No desenrolar desta história, o que aconteceu em Paty? “Os trabalhos estão paralisados. No último governo municipal, acho que houve um equívoco ou uma falta de entendimento sobre os objetivos do projeto”, disse sem desanimar. “A Agenda 21 gerou os benefícios possíveis, inclusive com recursos que trouxemos do Ministério do Meio Ambiente, mas suas ações são contínuas. É preciso revitalizar o fórum. O que foi implementado de fato? Quais propostas serão reavaliadas? Fizemos os diagnósticos, mas e os indicadores? Essas abordagens são necessárias para que o trabalho tenha sequência ao longo do século XXI”, conclui.

O grande “infelizmente” desse trajeto regional fica por conta do município de Miguel Pereira, onde a Agenda nunca aconteceu. “O problema das cidades é que os gestores se preocupam com o processo eleitoral, e não com o processo de gestão. Possuem o compromisso com o crescimento e deixam de lado o desenvolvimento sustentável”, afirma. “Em Miguel Pereira sempre faltou interesse político para realizar diagnósticos participativos. Este ano acreditei que algo iria mudar e há cerca de 3 meses entreguei o projeto para a atual Secretaria de Meio Ambiente, sem nenhum tipo de retorno. De qualquer forma, não posso e não quero desistir da minha cidade”, declara.

O bate papo entre Calico e Lince rendeu uma manhã inteira.  Foi uma deliciosa entrevista, onde a bela paisagem inspira e faz a gente almejar que o desenvolvimento sustentável ocupe cada centímetro das nossas cidades, da nossa região, do nosso país. 

Para encerrar, vamos falar sobre felicidade. “Na Rio +20, foi discutida a Felicidade Interna Bruta (FIB), que aos poucos vem substituindo o Produto Interno Bruto (PIB), como índice de referência para medir a qualidade de vida da população”, conta o nosso anfitrião. “Esse índice, criado no Butão, inclui aspectos como a questão ambiental, o bem estar humano, a família e a administração do tempo, e já está sendo utilizado em relatórios divulgados pela ONU”, informa.

Pois é, Calico, o FIB simboliza o recomeço, a quebra de um sistema onde o poder de consumo se sobrepôs ao bem-estar real do ser humano. Utopia é pensar que o mundo irá sobreviver sem ar puro, sem água, sem florestas... Então, o seu sonho é a batalha de todos que pretendem continuar habitando este planeta.

Frase
"Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído, é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro." (divulgado como provérbio indígena)

Beijinhos de Lince e até a próxima quinzena!
Carlos Frederico Castello Branco (foto: Lena Medeiros)
Coluna Olhos de Lince
Jornal Panorama Regional, edição 948, página 9
http://www.paper4web.com.br/readerp4w/reader2012/get.aspx?lT=flip&pID=1&eID=10744&host=reader&lP=0&rP=1

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Olhos de Lince - 05/04/2013

Coluna Olhos de Lince - Jornal Panorama Regional

Livro aborda o clientelismo na atual política «democrática»

Você sabe o que é clientelismo?  Em resumo simples, é uma prática onde quem detém o poder oferece «favores» em troca de apoio político.  Para tratar do assunto, o historiador Alan de Carvalho Souza publicou este ano, pela Paco Editorial, seu segundo livro: CARGOS COMISSIONADOS - Clientelismo do Estado Social e Democrático.

Alan tem 34 anos. Através do seu semblante jovial é difícil desvendar o historiador de admirável capacidade, com um interesse latente em pesquisas documentais relacionadas à região do Vale do Café, que produziu duas obras importantes para a memória do país.  Ele representa, no mínimo, os ares da nova historiografia, que chega para soprar o mofo das nossas «verdades históricas», estabelecidas e inquestionáveis ao longo dos séculos.

Licenciado e Mestre em História pela Universidade Severino Sombra, Alan utilizou o material pesquisado nas cidades de Miguel Pereira, Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul, Valença e Rio de Janeiro, e uniu esses dados à sua experiência como funcionário público comissionado para escrever sua obra mais recente. «A junção dessas pesquisas com a vivência dentro de uma Prefeitura Municipal, permitiu constatar a forte presença do clientelismo na política atual, a exemplo do que foi praticado no século XIX.  As conclusões não são animadoras», diz Alan. «Dentre os municípios pesquisados, Paty do Alferes é o único que tem por lei uma reserva de 10% (que já foi de 30%) para que os servidores concursados ocupem os cargos em comissão.  De qualquer forma, isso não é nada se levarmos em consideração outros fatores. Até a data da conclusão do livro, em nenhum desses municípios, nem mesmo no Rio de Janeiro, os estatutos exigiam pessoas capacitadas para o exercício das suas funções», esclarece.

Lince estava ansiosa para ler este estudo, que demonstra de forma clara como os mecanismos do clientelismo agregam o atraso no desenvolvimento do bem-estar público e ferem a plenitude dos ideais democráticos. O prefácio assinado pela Professora de História do Brasil Contemporâneo da UFRRJ, Surama Conde Sá Pinto, salienta: «Alan de Carvalho Souza evidencia como tal prática se mantém em ascensão na política do Estado brasileiro. (...) é a nível municipal que o clientelismo se torna mais visível.  A teia de ligações, os acordos firmados e o impacto das nomeações de fundo clientelista são descortinados em seu estudo, assim como as consequências dessas práticas (...)». Já o Juiz de Direito do estado de São Paulo e também Professor de Direito Administrativo da PUC/SP, Luis Manuel Fonseca Pires, descreve que o autor «aponta os indispensáveis laços de apoio para a permanência de uma minoria que se faz senhora do Estado e dona do patrimônio público».

Alan teve seu primeiro livro publicado em 2012, pela Paco Editorial. Em TERRAS e ESCRAVOS - a desordem senhorial no Vale do Paraíba, abordou a história de Paty do Alferes (1816 a 1840), com enfoque nas disputas entre as elites regionais numa época em que a cidade conquistava sua autonomia político-administrativa. «Para se ter uma ideia, nesse período a riqueza do império estava em terras patyenses. Éramos o grande polo produtor de café, com a maior absorção da mão de obra escrava no Vale do Paraíba Fluminense. Em 1840, as fazendas da Freguesia e Maravilha, que pertenciam ao Capitão Mor Manoel Francisco Xavier, tinham 446 escravos», conta Alan. Mas porque a conquista dessa autonomia não teve continuidade? «As disputas entre as elites locais mudaram o rumo da história de Paty do Alferes, que voltou a pertencer a Vassouras», acrescenta. Só no século XX, mais precisamente em 1987, Paty conseguiria alcançar o status de município.  
O futuro promissor do historiador começa a despontar.  Aprovado no processo seletivo da Universidade de Lisboa, ele agora concorre a uma bolsa pelo CNPQ. «Meus estudos em Lisboa seriam iniciados em setembro de 2012, mas a universidade prorrogou minha aprovação para o ano letivo de 2013. Dependo de conseguir, através do CNPQ, essa bolsa de doutorado pleno no exterior, pois só desta forma poderei me sustentar em Portugal», declara com confiança.

Lince deseja sorte para Alan. Uma sorte merecida pelo seu trabalho e estudos, talento e dedicação. 

Se o leitor quiser saber como e onde adquirir os livros, acesse o site: loja.livrariapaco.com.br. E para aqueles que tiverem vontade de conversar com o historiador, segue seu endereço eletrônico: histalan@gmail.com.

Frase que agradou
«Um país sem memória, ou que não cultiva a recordação das coisas, está irremediavelmente condenado». (Armando Baptista-Bastos/ Lisboa, 27 de Fevereiro de 1934/ jornalista e escritor português).

Beijinhos de Lince e até a próxima quinzena!

Alan de Carvalho Souza apresenta seu novo livro (foto: Ana Paula Souza)

Coluna Olhos de Lince
Jornal Panorama Regional, edição 946, página 9